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Quedas e oscilações de energia elétrica em municípios são temas de reunião da Comcam

Segundo produtores rurais, os episódios de quedas e oscilações aumentaram após a privatização da Copel pelo Governo do Paraná.

As constantes quedas de energia elétrica registradas nos municípios, tanto na zona urbana quanto rural, foi tema central de uma assembleia geral extraordinária da Comcam, na noite dessa quarta-feira (28), no município de Juranda. Além de prefeitos, o encontro reuniu o gerente de departamento de serviços noroeste da Copel, Ricardo Alexandre Soliman Carvalho.

O problema é antigo na região, causando transtornos à população como queima de aparelhos eletrodomésticos e prejuízos no campo. Ao fazer o uso da palavra, o vice-presidente da Comcam, Edmilson Moura, prefeito de Terra Boa, questionou Carvalho sobre as medidas que a empresa vem adotando para resolver o problema. “Diante da seriedade deste grave problema o que a Copel está fazendo para uma solução aos municípios”, questionou.

Sobre a situação, Carvalho comentou que a Copel está se esforçando para reforçar, modernizar e expandir a rede de distribuição de energia que atende a região Noroeste do Paraná, que engloba a região da Comcam. Com isso, diz, espera que a situação seja normalizada. Para este ano, por exemplo, a empresa deverá investir R$ 252,5 milhões nas melhorias, informou.

Apesar do anúncio, o prefeito e Mamborê, Ricardo Radomski, que participou da reunião, fez um desabafo. “A gente está vendo um sucateamento da Copel, uma parte postes está ficando velho quebrando muito. De dois anos para cá a coisa ficou caótica. Sabe cobrar, mas a manutenção deixa a desejar. Dou nota zero para Copel”, desabafou.

Cinco prefeitos participaram da reunião, entre elas, a anfitriã, Leila Amadei, Edemilson Moura (Terra Boa), Ricardo Radomsli (Mamborê), Wilson Tureck (Luiziana), Leonardo Romero (Quinta do Sol), e os vice-prefeitos Eides Guedes (Janiópolis), e Elias Fernandes (Corumbataí do Sul).

Prejuízo milionário no campo
Mais do que transtornos em seu dia a dia, produtores rurais de todas as regiões da Comcam, têm amargado prejuízos significativos em razão de quedas recorrentes no fornecimento de energia elétrica ou de oscilações na tensão da rede. Para se ter ideia, nos últimos meses, o Sistema FAEP/SENAR-PR recebeu 18 ofícios de sindicatos rurais e núcleos de sindicatos, que, juntos, correspondem a 54 unidades sindicais. Os documentos detalham os problemas enfrentados por agricultores e pecuaristas e que impactam diretamente na produção agropecuária. Os apagões têm se imposto como um obstáculo a quem produz, mas com impactos que se refletem na economia do Estado.

A Faep compilou os apontamentos enviados pelos sindicatos rurais, resumindo os problemas no fornecimento de energia e traçando um cenário da situação vivida por produtores. Enviado neste mês à Copel, ao governo do Paraná e a todos os deputados estaduais, o ofício pede providências imediatas e assinala: “O tema é urgente e, sem resolução, o desenvolvimento do Paraná poderá ser comprometido”.

Um dos reflexos da deterioração da rede elétrica no campo é a oscilação recorrente de carga, que tem provocado a queima de sistemas elétricos de equipamentos, como motores, bombas de irrigação, climatizadores e painéis de controle, entre outros. Outro problema sentido reiteradamente pelos produtores rurais são as quedas de energia.

No último quadrimestre de 2023, houve mais de 38 mil interrupções de distribuição de energia registradas no Paraná, aumento de 23,6% em relação ao mesmo período de 2022, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em alguns casos, os episódios são sequenciais. O período médio de duração das interrupções também aumentou. O tempo de atendimento subiu de 248 minutos (mais de quatro horas) para 355 minutos (quase seis horas), de acordo com a Aneel. Há casos, entretanto, em que a interrupção no fornecimento se estende por dias, como na propriedade do avicultor Roberto de Lucas Rodrigues Bittencourt, em Terra Boa, na região da Comcam.

A fazenda ficou às escuras por quase três dias seguidos, entre 10 e 12 de janeiro deste ano. Na hora que a energia caiu, Bittencourt ligou um conjunto de geradores à diesel, mas os equipamentos também não aguentaram à sobrecarga. Um deles queimou e o produtor teve que, às pressas, alugar um novo, ao custo de R$ 2,5 mil. Nesse meio tempo, do lote de 200 mil aves nos galpões, 10 mil morreram.

“Os geradores são feitos para usar uma ou duas horas, em situações de emergência, até a luz ser religada. Não é para ficar ligado direto, derretendo e virando o dia. Meu prejuízo foi de R$ 100 mil”, garantiu o produtor. “Eles demoraram três dias para identificar o problema. Era um religador automático, que, quando falha, dá sinal na central. Então, ou eles foram incompetentes ou foram negligentes. E não estava chovendo. Estava um ‘céu de brigadeiro’”, acrescentou Bittencourt, que reuniu os registros para ingressar com uma ação judicial contra a Copel.

Conta subiu
Nos últimos cinco anos, os produtores rurais do Paraná viram sua conta de luz disparar. O custo da energia elétrica no campo subiu 76,4% no período, enquanto a tarifa residencial teve reajuste de 45,1% – em ambos os casos, as altas foram superiores à da inflação, medida pelo IPCA. Com o fim de subsídios, a tarifa rural se equiparou à urbana. No campo, entretanto, os serviços têm gargalos estruturais. Em 2021, por exemplo, o produtor paranaense ficou, em média, 30 horas sem energia, enquanto esse período médio foi de sete horas na cidade.

Privatização
Em 2023, o governo do Paraná arrecadou R$ 3,1 bilhões com a venda de ações da Copel na Bolsa de Valores, em São Paulo. Destes, R$ 2,6 bilhões tinham sido obtidos em agosto do ano passado, com uma operação inicial. Em setembro, um lote suplementar de ações rendeu R$ 464 milhões aos cofres paranaenses. Também no ano passado, o Conselho de Administração da Copel aprovou a distribuição de R$ 958 milhões de dividendos a acionistas.

Segundo os produtores rurais, os episódios de quedas e oscilações aumentaram após a privatização. Quem está no campo não tem visto manutenção nas redes e aponta que o comprometimento das equipes terceirizadas não é o mesmo dos funcionários de carreira. Quem sofre são os usuários dos serviços.

Fonte: Assessoria da Comcam

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